SÃO
BENTO DO AMEIXIAL
"SÓ SE FAZEM OBRAS PORQUE QUANDO NÃO
HÁ DINHEIRO PONHO DO MEU BOLSO!"
SOCIEDADE
[15 JUL] »»
Decorria o longínquo ano de 1974 quando, pela primeira vez, ocupou
um cargo na Junta de Freguesia de São Bento do Ameixial. Desde
então, passou de secretário para tesoureiro, e vice-versa,
e foi eleito presidente por cinco vezes, estando actualmente a completar
o seu terceiro mandato consecutivo.
Eleito nas listas do Partido Social Democrata, Justino José Fonseca
é o actual presidente da Junta de Freguesia de São Bento
do Ameixial e tem dedicado grande parte da sua vida a esta autarquia.
Aos 75 anos de idade, o presidente disse ao Brados do Alentejo que não
pretende parar e que ainda poderá dar um importante contributo
à freguesia rural de que é natural, nem que para isso
"tenha que pôr dinheiro do bolso!".
Brados do
Alentejo – Desde o ano de 1974 que ocupa cargos na Junta de Freguesia
de São Bento do Ameixial. De secretário passou para tesoureiro,
e vice-versa, e foi eleito presidente por cinco vezes, estando actualmente
a completar o seu terceiro mandato consecutivo. Aos 75 anos de idade,
que razões o levaram a recandidatar-se nas últimas eleições
autárquicas?
Justino José Fonseca – Nunca desisti e sempre quis melhorar
as coisas na minha freguesia. Apesar da minha idade já avançada,
pretendo não ficar parado. Assim, estou sempre ocupado e penso
que ainda posso dar um importante contributo a São Bento do Ameixial.
É preciso ajudar as pessoas e penso que elas confiam em mim,
pois sempre que há eleições votam na minha lista.
B.A. – Para além de votarem em si, os fregueses
de São Bento do Ameixial têm redobrado a confiança
no seu presidente, tendo vencido as últimas eleições
autárquicas com maioria absoluta. Esta evidência deve-se
ao trabalho que tem sido desenvolvido na freguesia?
J.J.F. – Sim. Temos feito muitas coisas na freguesia.
A última obra que foi executada foi o alargamento da rua junto
ao adro da igreja. Fizemos tudo! A Junta pagou mais de dez mil euros
por estes trabalhos e a Câmara Municipal de Estremoz não
pôs ali um tostão!
Realizámos também diversos arruamentos, balneários
na Venda da Porca, entre outras obras.
Comprámos também uma carrinha que custou 37 mil euros
e que neste momento já está paga. Esta viatura é
utilizada para transportar as crianças e os idosos.
B.A. – O Posto Médico continua a funcionar?
J.J.F. – Sim. Temos médico, as instalações
são da própria Junta, garantimos a sua manutenção
e o pagamento do vencimento da funcionária que acumula com a
função de secretária nesta autarquia.
B.A. – À semelhança do que acontece na maioria
das freguesias do concelho de Estremoz, São Bento do Ameixial
também tem perdido habitantes?
J.J.F. – A população está muito
envelhecida e faltou fazer a revisão do Plano Director Municipal
[PDM]. Sem terrenos para construir, houve muita gente que abandonou
a freguesia e foi para outras localidades. Esta é uma situação
que, infelizmente, ainda não está resolvida!
Fizeram uma pequena urbanização no tempo do presidente
Luís Mourinha e venderam terrenos com 300 metros quadrados por
apenas quatro mil contos [20 mil euros] que agora estão abandonados!
Fez-se o saneamento básico, mas não tem luz nem arruamentos.
Ainda por cima, apesar de ser terreno privado, é a Junta que
corta os pastos e que faz a limpeza da área para não ficar
a parecer tão mal!
B.A. – Em relação ao mandato anterior, a
Junta de Freguesia já recebe uma verba superior no que diz respeito
aos protocolos realizados com Câmara Municipal de Estremoz?
J.J.F. – Não! Fomos muito prejudicados pelo presidente
José Alberto Fateixa em relação aos protocolos
que realizámos no último mandato. Ficámos a receber
menos de 700 euros mensais. O protocolo que fizemos, neste momento,
é uma autêntica fotocópia do anterior!
Recebíamos cerca de mil e duzentos euros todos os meses e passou
para 525.
B.A. – Qual é o orçamento da Junta?
J.J.F. – Recebemos à volta de 50 mil euros anualmente,
40 mil do FEF (Fundo de Equilíbrio Financeiro) e cerca de dez
mil dos protocolos realizados com a câmara. Com esta verba não
há muito que se possa fazer e só chega para pagar aos
nossos funcionários.
Só se fazem obras porque quando não há dinheiro
ponho do meu bolso!
Já dei à Junta cerca de 20 mil euros.
B.A.– O que o leva a gastar do seu dinheiro? Não
recebe o vencimento de autarca a que tem direito?
J.J.F. – Só recebo quando sobra. Os dez mil euros
que foram dispendidos nesta última obra fui eu que os paguei
e quando há dinheiro vou tirando a pouco e pouco.
Uma coisa é certa, não devemos um tostão a ninguém!
Temos tudo como deve ser e estamos a caiar desde a escola ao cemitério,
obras que custam mais cinco mil euros. Quando há dinheiro paga
a Junta e quando não há pago eu. As pessoas até
se admiram e dizem que assim é que devia ser toda a gente!
Compramos e fazemos as coisas e pagamos!
B.A. – Como está constituída a assembleia
de freguesia? Qual a relação entre as diferente forças
políticas?
J.J.F. – A assembleia de freguesia é constituída
por quatro eleitos do Partido Social Democrata (PSD) e três do
Partido Socialista (PS). A nossa relação é muito
boa e não entramos em guerrilhas políticas!
Já houve mandatos em que havia indivíduos que vinham para
a assembleia de freguesia bêbados, mas desde há três
ou quatro mandatos tudo tem corrido bem.
B.A. – Quantas crianças estudam na escola EB1 de
São Bento do Ameixial? Teme que a ameaça que paira sobre
o encerramento deste estabelecimento de ensino venha a ser concretizada?
J.J.F. – Se não encerrar, a escola terá
apenas seis alunos no próximo ano lectivo. O jardim-de-infância
também só tem uma criança e não é
de nacionalidade portuguesa.
Ainda não tenho qualquer informação sobre este
assunto, mas se o estabelecimento de ensino fechar a freguesia terá
muito a perder e acabará por morrer. Não vamos tendo nada!
Vamos perder os miúdos e ainda por cima as verbas que são
de cinco mil trezentos e vinte euros por ano é dinheiro que nos
faz muita falta.
Por outro lado, o PEC também nos irá retirar dinheiro.
Já disse às pessoas que se não temos dinheiro fechamos
a porta. Como a Junta não tem dívidas não as vai
arranjar!
»» Jorge Manuel
Pereira
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